Padre Anchieta torna-se o
terceiro santo com laços estreitos com o Brasil e Papa Francisco assinou
decreto hoje.
A
assinatura, esperada inicialmente para acontecer na quarta (2), ocorreu durante
reunião entre o pontífice e o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação das
Causas dos Santos, responsável por todos os processos de beatificação e
canonização existentes na Santa Sé.
Durante
o encontro, Francisco também tornou santo outros dois religiosos do Canadá: D.
Francisco de Laval (1623-1708), que foi bispo de Québec, e a Irmã Maria da
Incarnação (1599-1672), fundadora de um mosteiro das Ursulinas na mesma cidade.
Apóstolo do Brasil
São
José de Anchieta, que viveu no século 16, atuou no país na maior parte de sua
vida. Foi um dos fundadores da cidade de São Paulo, em 1554, e visitou diversas
localidades.
Ele
é o terceiro santo a ter laços estreitos com o Brasil. A primeira foi Madre
Paulina, santa desde 2002. Em seguida, Frei Galvão, brasileiro nascido em
Guaratinguetá (SP), proclamado Santo Antônio de Sant'Ana Galvão em 2007 por
Bento XVI.
Entretanto,
diferentemente de Paulina e Galvão, Anchieta não teve dois supostos milagres
reconhecidos pelo Vaticano. Relatos de mais de 400 anos apontam que eles
aconteceram, mas o tempo longo passado desde então impossibilita sua
comprovação, segundo historiadores.
A
canonização de Anchieta se dará por seu trabalho missionário feito no Brasil,
principalmente pela catequização dos índios no período de colonização, além da
fundação de missões jesuítas em diversas províncias do país.
Sinal de esperança
Segundo
o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, a criação de um novo
santo, ainda mais quando tem relação com o Brasil, é motivo de festa.
“Representa
um membro da igreja que teve uma vida santa, fé profunda, amor ao próximo e que
viveu integramente, ou seja, não fez mal ao próximo. É uma pessoa que
representa um sinal de esperança para os outros”, disse o religioso.
Ainda
de acordo com o cardeal, a canonização de Anchieta era aguardada desde a sua
morte. “E chegou o momento agora com o Papa Francisco e nós nos alegramos
muito, e agradecemos a Deus”.
Histórico
Nascido
nas Ilhas Canárias, arquipélago que pertence à Espanha, Anchieta ingressou aos
17 anos na Companhia de Jesus, congregação religiosa fundada no século 16 e que
ficou responsável pelo processo de evangelização da América Latina.
Os
integrantes da instituição, que existe até hoje, são chamados de jesuítas – o
Papa Francisco é o primeiro deles a ser eleito como líder da Igreja Católica,
em 2013.
Segundo
a coordenadora do Museu Anchieta, no Pateo do Collegio, em São Paulo, Anchieta
chegou ao Brasil com 19 anos, ansioso para trabalhar com indígenas. Em 1554,
participou da fundação de São Paulo.
Aprendeu
a língua nativa, o tupi, e com a ajuda de curumins (crianças índias), que
exerceram o papel de tradutores, escreveu o livro “Arte de grammatica da lingoa
mais usada na costa do Brasil”, que ajudava outros religiosos a entender a
língua indígena durante o processo de catequização do Brasil-Colônia (o texto
pode ser lido aqui).
Ao
longo de sua vida ficou conhecido pela característica de conciliador. Teve
papel fundamental durante o conflito entre os índios Tamoios (ou tupinambás) e
os tupiniquins, denominado Confederação dos Tamoios, que, segundo Carla,
ocorreu entre 1563 e 1564.
Na
época, os Tamoios, apoiados pelos franceses, se rebelaram contra os
tupiniquins, que recebiam suporte dos portugueses. Para apaziguar os ânimos,
Anchieta se ofereceu para ficar de refém com os tamoios na aldeia de Iperoig,
enquanto outro jesuíta, o padre Manoel da Nóbrega, seguiu para o litoral de São
Paulo para negociar a paz.
Enquanto
esteve “preso”, sua devoção à Virgem Maria o fez escrever na areia a obra
“Poema à Virgem”, com quase 5 mil versos. A imagem deste momento foi retratada
séculos depois pelo artista Benedito Calixto, no quadro que leva o mesmo nome
da obra literária e que está exposto atualmente no Museu Anchieta.
Anos
depois, foi nomeado Províncial do Brasil da Companhia de Jesus, responsável por
todas as missões jesuítas do Brasil. Visitou várias regiões até morrer em 1597,
aos 63 anos.
Processo longo de
canonização
O
jesuíta foi beatificado por João Paulo II em 1980, na primeira etapa antes de
se tornar santo. O pedido para que isso ocorresse, no entanto, foi feito ainda
no século 16. Mudanças no Código Canônico e conflitos que acabaram com a
expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, atrasaram o processo.
Segundo
o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da
Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, a proclamação do jesuíta
espanhol como santo ocorreu por suas ações que, segundo ele, "comprovaram
que sua vida foi cheia de milagres".
“[Com
essa atitude], acredito que a Igreja Católica deve rever o método de
canonização. Isso pode abrir outras possibilidades para criar mais santos”o
Brasil. Visitou várias regiões até morrer em 1597, aos 63 anos.
Via: G1





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